Caos do SUS

Posted on julho 13, 2011 por

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Por Samara Lhorrainy

Regulamentado em 1990, o SUS (Sistema Único de Saúde) brasileiro tem como princípios a universalidade, a equidade e a integralidade, ou seja, atendimento integral e gratuito em todos os níveis da saúde, para toda a população, independentemente de seu poder aquisitivo, cor ou raça. Seu objetivo, dessa forma, é garantir o atendimento de toda a população e promover a saúde.

Surgiu devido à insatisfação existente com a gestão da saúde no país e com o objetivo de criar um novo sistema público para solucionar os inúmeros problemas encontrados no atendimento à saúde da população. Atualmente é considerado um dos maiores sistemas público de saúde do mundo, abrangendo desde uma simples consulta rotineira até um transplante de órgão, garantindo o acesso integral, universal e gratuito, em todo o país. Nenhum outro modelo de saúde pública oferece tal garantia.

Então, como que um sistema tão perfeito, bonito e abrangente é tão criticado? Por que só funciona no papel e não na realidade da população? Bem, não é segredo o caos do sistema público de saúde, tampouco a corrupção dos nossos políticos, mas isso não é tudo.

Como pode o SUS funcionar, quando os grandes administradores do sistema público, os executivos federais, estaduais e municipais são os primeiros a pagar planos de saúde para suas famílias, tendo acesso aos hospitais de ponta do país, sem sequer ter pisado em uma unidade pública de saúde? Ninguém da dita “alta sociedade” quer testar como são os serviços prestados pelo atendimento público. Não querem passar pelos corredores lotados de macas improvisadas para que TODOS consigam um atendimento mínimo. Estamos diante de um circulo vicioso que deita raízes na gênese do Brasil enquanto estado-nação, no comportamento socialmente estabilizado do sentimento de “não-pertença” da “elite” diante da coisa pública.

Os profissionais de saúde são mal remunerados, sendo obrigados a trabalhar em mais de um emprego, vivendo o estresse da acumulação de horas para dar conta do recado. Muitas vezes, com a falta dos equipamentos necessários, superlotação, esses profissionais acabam tendo que definir a qual paciente será disponibilizado um leito ou mesmo o medicamento. O profissional de saúde tem que ser artista, e ser mestre na arte de improvisar!

Além, falta reconhecimento e falta atitude dos governantes. Há ainda os profissionais de saúde corruptos, que aproveitam da boa fé da população menos informada e cobram por procedimentos que deveriam ser prestados pelo SUS. Muito tem que ser feito para que todos possam ter saúde e para que o SUS funcione tão bem quanto no papel.

No entanto, em algumas localidades o SUS funciona bem, não 100%, mas bem! Não serei injusta, pois tenho acesso a hospitais e regiões que são exemplos de bom funcionamento da saúde publica como é o caso da rede SARAH de hospitais. Se quiserem saber como seria se o SUS funcionasse, como manda a cartilha, visitem um hospital da rede SARAH. Mas porque essa rede é perfeita? É uma resposta simples! São os hospitais modelo, aqueles utilizados para visitas de integrantes da saúde de outros países, para mostrar como é lindo o nosso sistema de saúde pública brasileiro. É quando a hipocrisia atua como testemunha irrefutável da capacidade do funcionamento prático de um sistema como o SUS.

Finalizarei meu texto com uma frase interessante que li em um artigo, mas infelizmente não lembro o nome do autor (se alguém souber, só comentar que editaremos) “Enquanto estiver nessa fila só os ‘ferrados’ estamos perdendo tempo nessa luta. Mas, a esperança é que nos anima… apesar dos pesares”.

Eu realmente tenho esperança… muita!

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